O medo, hoje, me comeu inteira. Permitir mais que isso, é suicídio.
E como não permitir? É preciso aprender até ao amanhecer, mas ele me sufoca por dentro e faz meu coração sambar miúdo. Não há espaço para saltos mirabolantes nem um samba encorpado.
O medo comeu minha fala. Tudo aqui, agora, é dele. E é neste desatino, que procuro nas entranhas de onde eu fui cuspida, um apoio, uma vértice, mas já não falamos a mesma língua. Meu verso ficou frouxo e acabei cantando pro vento que canta sopros sem destino certo, deixando ao leo minha voz que grita socorro...Socorro! Se ao menos ela esquecesse minhas falhas por um instante e prestasse um pouco mais de atenção, talvez fosse capaz de escutar, no vento, a minha voz, meu som, minha arte...
(Ravena Revenster)

