A hora da Estrela - Clarice Lispector

"Ouvira na Rádio Relógio que haviam sete bilhões de pessoas no mundo. Ela se sentia perdida. Mas com a tendência que tinha para ser feliz logo se consolou: havia sete bilhões de pessoas para ajudá-la"
(Clarice Lispector)
 

Não é pessimismo, mas Macabéa era uma tola e olha que nem os tolos são tão tolos. Ela era muito pior que isso. Morreu na sarjeta como chegou ao mundo. Um nada voltou assim como chegou. Não fez diferença na vida de ninguém. Simplesmente, pegou a vida e viveu bem tolamente. Inexistente. Tola. Mil vezes tola. Santa? Inocente? Nada disso. Um nada. Isso era ela. O que sinto por essa personagem medíocre é raiva. No fundo, ela ainda me faz sentir pena. E, por último, no fundo do fundo, encanto. Esse último sentimento é somente por ela ter sido feliz com todo o nada de sua vida.



...E então Macabéa chegou na porta do céu e Deus ficou sem saber se mandava-a descer pro inferno ou permanecer onde estava, pois devido a tolice de sua vida, confudiu até Ele. Na dúvida, mandou-a descer. Ainda assim, ela se sentiu tão feliz, que até os anjos sentiram nojo de sua existência. (Fim).
(Ravena Revenster de Castro)



(Deixando claro que essa é a minha opinião sobre o livro)